2 de jul. de 2009

Gripe A : Pagando os abusos







O Gringo Ignorante


Judy Trunnell foi a primera vitima da gripe A nos EUA. Morava numa pequena cidade na frontera com Mexico, Harlingen, perto de uma filial mexicana da maior produtora de carne suína do mundo, a norteamericana Smithfield Foods Inc. O marido dela, iniciou uma demanda contra essa multinacional pela morte da sua esposa e pelas condições de trabalho daquele lugar.
No pequeno povo chamado “La Gloria”, Mexico, a companhia tein mais de um milhão de porcos hacinados em 200 chacras ao redor da comunidade. Cabe agregar que a companhia já foi multada por delitos de contaminação ambiental e denunciada varias vezes pela “Human Rights Watch” por abusos sobre os trabalhadores. O advogado do Sr Trunnell investigou e alegou que os moradores do lugar reclamam do pesimo estado higienico das granjas e o cheiro insuportável. Ele quer demonstrar que os criadouros industriais do lugar são higienicamente inapropriados, e tentará lhes-culpar pela morte da Judy e conseguir provas de que a nova gripe A surgiu possivelmente nessa comunidade da Gloria.
Sáo numerosos os estudos de ONG´s u outros que aportaram provas de que a alta concentração de animais pra fines industrias apresemtam condições perfeitas pra o surgimento de doenças e epidemias, facilitando a transmissão rapida e mistura dos virus. Varios investigadores já sinalaram esses espaços como os gerados das “pandemias do futuro”, e até vaticinaram nessas granjas do Mexico a origem de doenças como a atual, que já existia faz tempo, mutando de um virus em outro, mais sem apresentar –ate agora- risco pra humanos.
È possível que a responsabilidade dessa nova ameaça sanitaria resida na industrialização delirante da produção pecuaria. O sistema de cria intensiva transformou o setor em algo mais semelhante á industria petroquímica (cheiro, contaminação da terra e agua na eliminação do estercol, calor asfixiante, concentração de insetos, sobre tudo moscas e mosquitos, etc) do que na antiga fazenda.
Para encerrar, cabe destacar tambem que os virus invernais, como a gripe comum, causan entre 250.000 e 500.000 mortes por ano no mundo. E, nesse sentido, o numero de vítimas da nova gripe não é preocupante, mas a mídia esta fazendo um show com isso. A diferença é que este virus age rapidamente deteriorando o sistema respiratorio e pode causar a morte se não se trata nos primeros dias; atuando rapidamente, não tein o mínimo perigo. A grande maioria dos defuntos na Argentina são pessoas que já padeciam doenças respiratorias o pessoas que não procuraram assistência medica.

PD: A informação do artigo se baseia no Monde Diplomatique de Junho, num texto do Ignacio Ramonet.

Pulou.






Fórina

Meio dia, cidade fervilhando de turistas e estudantes, estômagos guiando em direção a uma rápida refeição. A torre fica na região mais central da cidade. A loja de produtos para toalete é sua vizinha, confundindo-se com a igreja que lhe faz entrada no andar térreo. À direita da porta da igreja, uma típica cabine telefônica de vidro, com estrutura vermelha. É nela que o corpo bate antes de atingir o chão com violência. Ele rapidamente se tinge e passantes estupefatos olham o corpo que se oferece ao trágico espetáculo.

Como comentário da notícia publicada no jornal, um leitor que mora na cidade afirma ser a terceira vez que isso acontece, de acordo com sua memória. Notícias posteriores afirmam que a mulher de 61 anos, balconista de uma grande cadeia de lojas de cosméticos, estava casada há apenas dez meses com um apaixonado senhor e passava dificuldades financeiras decorridas de empréstimos bancários e débitos em lojas.

Ainda que banal, a vida não se apresenta tão difícil em um país de economia forte como a Inglaterra. Empregos atrás de balcões não oferecem nenhum prestígio, mas são suficientes para uma subsistência pouco glamourosa e a ocasional viagem a uma praia europeia ou a um país considerado exótico.

Como são frágeis os sonhos dessa época, e tolos, insuficientes. Ou somos nós que nos anestesiamos para os nossos sonhos, e deixamos essa narrativa tão melancólica quanto pobre nos embalar. Como produto, laços cada vez mais esgarçados e objetivos sem propósito se impõem. A leve hilariedade do video clipe em que zumbis desempenham uma coreografia pop dá lugar a assunção de um estado de coisas bem mais real do que a olho nu se consegue ver.

29 de jun. de 2009

Yes, we (almost) can.




Olmeca de Tlachtli


Oh my God. What the hell is going on?

Foi um sufoco daqueles que nem o Mel Gibson em “o Patriota” poderia acreditar. Os EUA fizeram 2x0 – isso mesmo!! – em menos de meia hora de jogo, contra uma seleção brasileira apática, e dominada pela aplicadíssima disciplina tática norte-americana.

O jogo começou lento, com o Brasil tomando a iniciativa, obviamente, e os EUA apenas esperando a chance de um bom contra-ataque, já que jogava com dois centro-avantes de ofício. Eis que veio o primeiro choque: bola despretenciosa cruzada para a cozinha brazuca e Dempsey apenas escorou a bola. Foi o suficiente para tirar de Julio Monstro Cesar e abrir o marcador.

Unfuckingbelivable!

O Brasil não se abalou e partiu pra cima com tudo. Mas o goleirão Howard trazia muita segurança a zaga americana e, após um pressão brasileira, Maicon Jackson tocou mal uma bola para o meio e veio o contra-ataque a la Pearl Harbor, sem dó: bela tabela de Davies com Donovan, no dois contra dois e finalização perfeita de Donovan: 2x0 e o Brasil provou do seu próprio veneno.


Unfuckingbelivable plus 2.0!

Termina o primeiro tempo: 2x0 para os EUA. Agora o Mel Gibson estava acreditando. Até eu estava acreditando que eles podiam ganhar. Os EUA foram extremamente eficientes nas duas oportunidades que tiveram e o Brasil não foi Brasil.

Vem o segundo tempo e logo no primeiro lance do jogo Ramires cruza a bola para o Fabuloso, que dentro da área gira e chuta de canhota: 2x1 e estava furada a muralha Howard.


Houston, we have a problem...

Os americanos se assustaram muito com esse gol. E o estádio inteiro – que torcia pelo Brasil – e queria ver o futebol mágico, finalmente começou a se animar.
Para o azar dos americanos, o Brasil veio babando, como a muito tempo não se via, com pouca técnica e muuuuita raça.

Antes, o “professor” Dunga mexeu no time com a genialidade de sempre: sai André Santos, entra Daniel Alves, sai Ramires, entra Elano.

E veio o segundo gol: Kakagado pegou a bola na esquerda, partiu pra cima do zagueiro levando a bola pra linha de fundo e cruzando na medida para Robizonho, que chutou no travessão. No rebote o Fabuloso estava lá para meter o cocoruto nela e empatar: 2x2.

Houston, we really have a problem...

A partir daí não tinha mais tática, era na raça pura. Os EUA ainda ameaçaram em mais um bom contra-ataque desperdiçado pela dupla country Dempsey&Donavan, que se tivesse um pouca mais de categoria no passe teria ocasionado o terceiro dos EUA.

Aí, aos 39’ brilhou a estrela de uma valente zagueiro. Elano cobrou escanteio da direita e ELE, Lucio, meteu a jaca nela – e bota jaca nisso! – para fuzilar o gol de Howard. 3x2, sem chance de defesa.

O estádio veio abaixo. Dunga veio abaixo. Bob Bradley – técnico dos EUA – got low.

The roof is on the fire...

Os EUA não acreditavam nessa virada. O Brasil precisava mostrar essa raça.

O belo futebol apresentado pelos EUA valorizou – e muito – nossa conquista.

Que a seleção brasileira tenha aprendido sua maior lição antes da Copa do Mundo, em 2010: o primeiro tempo contra os EUA. E a segunda maior lição: o segundo tempo contra os EUA.

É com esse espírito que temos que jogar a Copa: não tem adversário “fácil”, e apesar de sermos os “maiores”, as surpresas irão aparecer. Tem que ter o coração na ponta da chuteira e honrar essa camisa amarela como fizeram ontem, no segundo tempo.

Quanto aos EUA, fizeram bonito: de praticamente eliminados na primeira fase a finalista duríssimo contra o poderoso esquadrão brasileiro. Yes, USA. You (almost) can.

27 de jun. de 2009

considerando






Fernanda Pompeu

Nasci dez anos após o término da Segunda Guerra Mundial. Para os cachorros, dez anos é a terceira idade. Para a história, representa a milésima parte de um grão de segundo.
Cresci ouvindo ecos da Grande Guerra. Minha mãe contava dos blecautes programados e providenciais para os namorados. Meu pai relatava os afundamentos dos navios brasileiros Baependi, Araraquara, Anibal Benévolo, Itagiba, Arará na costa de Sergipe.
Anos depois, preconceitos contra descendentes de germânicos, italianos e japoneses sobreviviam nos recreios das escolas cariocas. Lembro do Werner, neto de alemães, exilado das nossas brincadeiras.
Do rescaldo dessa cultura belicosa, ficou gravada a expressão Dia D. Para os muito jovens, informo: foi a data em que os aliados desembarcaram numa praia da Normandia, libertando a França da ocupação nazista. O começo do xeque-mate ao Terceiro Reich.
Hoje, uso com gosto a expressão. Chamo Dia D quando apresento um trabalho. Quando pego o resultado de um exame médico ou rodo a baiana. Em miúdos, Dia D é sinônimo de hora da verdade.
Também considero Dia D toda manhã de quinta-feira. No momento em que a tela do monitor acende seu clarão e me convida a escrever um Baú sem Fundo para você, caro leitor.

22 de jun. de 2009

O Freguês voltou?






Olmeca de Tlachtli

E a torcida do Corinthians estava em êxtase após a boa vitória no segundo clássico da semana: 3x1 no combalido São Paulo.

O tricolor, após muitos anos de glória, entrou no jogo em uma situação inusitada: não contava com seus dois grandes pilares dos últimos anos: Rogério Mala Ceni e Muricy Zacarias Ramalho.

O timão, pelo contrário, veio embalado após a suada vitória sobre o Internacional.

Dois grandes times, dois momentos bastante distintos.

E quando a fase é ruim, nem santo ajuda. O tricolor foi mais time durante todo o primeiro tempo, mas a postura tática do timão se mantinha intacta. Enquanto o tricolor via diversas chances serem desperdiçadas, o timão foi lá e num ótimo lance de Jesus Christian, abriu o marcador: 1x0 na saída do goleirão Denis.

1x0 no último lance em um primeiro tempo totalmente tricolor. O interino Milton Cruz parecia não acreditar.

Veio a segunda etapa e o tricolor simplesmente parou de jogar.

O timão veio babando, e numa belíssima cobrança de falta de Chicômeno fez 2x0.

Aí o time do São Paulo foi pra roça!

Faltava brio aos jogadores que assistiam o time do Corinthians tocar a bola aos gritos de “Olé” da extasiada torcida.

Pra piorar, num escanteio cobrado por Jorge Cover do Romário Henrique, Jucilei meteu o cocoruto nela a lá Dada Maravilha – queixo no peito! – e fechou o caixão do tricolor: 3x0, fora o baile.

Ainda deu tempo para uma ótima jogada do promissor garoto Oscar, que rolou de calcanhar para Richarlyson meter o bico nela e fazer o golaço de honra tricolor: 3x1.

A torcida do Corinthians que não tinha nada a ver com isso gritava em alto e bom som: “O freguês voltou”. Isso sim, é de doer para a torcida tricolor.

Ricardo Gomes vai ter muito trabalho pela frente. Será que foi a escolha certa? Será que Muricy era o culpado? O tempo dirá. O que dá pra dizer é que com o elenco que tem, o São Paulo não pode jogar esse futebolzinho.

AH, o Palestra! Foi por muito pouco que o Obina – que é sim muito pior do que o Eto’o – não marcou um gol de...Eto’o!

Aliás, ele marcou, mas o juizão fanfarrão não validou. Obina estava com a macaca no sabadão, e além desse golaço de bike mal anulado, fez outro, o de empate do verdão.

Mas, vamos começar do começo. O furacão na Arena da Baixada é fortíssimo e começou com tudo para cima do verdão, que soube controlar as boas investidas de Marcinho, Márcio Peruca Azevedo e de Rafael He-Man Moura.

Resultado: o verdão segurou bem o ímpeto do Atlético PR, e terminou o primeiro tempo no 0x0.

Veio a segunda etapa, e logo de cara Rafael Santos meteu o sabugo nela: 1x0, sem chance para Marcos.

Parecia que a pressão atleticana iria desestabilizar o verdão, mas ELE, Obina, que entrou no lugar do lesionado Diego Souza, matou a cobra e mostrou a peixeira!

O valente atacante do verdão acreditou num péssimo recuo da zaga para o goleiro Vinícius, que se sentiu pressionado ao ver o mito partindo pra cima e meteu um bicudo nela, em cima dele! Obina não perdoou: 1x1 e o verdão seguia vivo no jogo. Vou até criar uma categoria de gols cagados: gol cagado Obinal!

Mais Marcinho foi lá e tratou de deixar a torcida do furacão em êxtase: 2x1, numa bela cobrança de falta.

Aí o verdão foi pro tudo ou nada, e deu certo! O menino Kellogg’s mostrou que as vitaminas e minerais deram um “grau” e fez o gol de empate na bacia das almas: 2x2 aos 48’ do segundo tempo!

Empate num jogo sensacional, que para o verdão teve sabor de vitória. Afinal, se garantiu no G4.

E o Santos? Incrível a derrota em plena Vila Belmiro para o embalado time do Atético Mineiro.

Desde o início do jogo o galo dominou totalmente as ações ofensivas. Parecia que estava jogando em casa!

Fábio Hooligan Costa estava tão irritado que cometeu um auto flagelo! Sim, o maluco goleiro santista resolveu se torturar, já que não conseguia fazê-lo em nenhum jogador do galo.

Lesão parecida com a de Rogério Mala Ceni. Preocupante para a equipe santista.

Mas, o lance não abalou a reação santista, que logo abriu o marcador com o menino Etiópia: Neymar+io: 1x0. e parecia que a Vila voltaria a ser a casa do Santos.

Final do primeiro tempo, e o Santos respirava aliviado.

MAS, veio a segunda etapa e Diego Retardelli anda mesmo iluminado! Que golaço no rebote da zaga, de primeira, sem chance para o menino Douglas: 1x1 e a vila começava a torcer contra.

Logo em seguida, Evandro foi lá e aumentou para o galo: 2x1, num outro golaço. Corte seco no zagueirão, que nem saiu na foto, e bateu no cantinho.

Numa falha bizonha da zaga santista, o ex- gato Carlos Adulterado Alberto, foi lá e marcou, sem dificuldades: 3x1.

O Santos foi para o tudo ou nada e meteu um gol chorado com o valente ídolo santista: Leo. 3x2. o jogo pegava fogo.

Até uma pequena lambança do juizão...

O cara encerrou o jogo sem terminar os acréscimos! Os jogadores santistas ficaram irritadíssimos e o juizão voltou o jogo!!

Times a postos, o Santos joga a bola no meio do pagode do galo e marca um gol!!!

Não, não marcou. Pois o juizão anulou alegando falta de Klebão Pereira. Detalhe: ele nem se mexeu no lance, parecia uma estátua.

Final de jogo, revolta total da torcida santista.

O galo, agora mais líder do que nunca, comemora.

Cornetadas:
Flamengo 4x0 Internacional – merrrrrrrmão!! Tenho certeza que alguém colocou uma garrafa de Cynar atrás do gol do Lauro! O Adriano comeu a bola ontem e meteu um hat-trick! Dá-lhe caninha!!!

Casa de ferreiro, espeto de pau






Hector Plasma

Na discussão sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo, os jornalistas contrários ao fim da exigência deixaram de lado um de seus princípios profissionais fundamentais: fidelidade aos fatos.


Desde 2001, data da primeira decisão sobre o fim da obrigatoriedade, o grande argumento foi que o diploma não impedia a liberdade de expressão. Todos de alguma forma podiam se manifestar.

Sustentaram essas teses jornalistas e sindicalistas. Contraditoriamente muitos deles lutaram pelo fim da ditadura militar e pela democracia. Para quem acompanhou de fora ficou claro que liberdade tão buscada por muitos durante 20 anos tinha tamanho e forma. Era uma liberdade que lhes convinha.

Em nenhum momento os argumentos foram sustentados pelos fatos. Casa de ferreiro, espeto de pau. Vamos a eles.
A Constituição Federal, escrita e promulgada no período democrático, no seu inciso IX do artigo 5º deixa claro: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Além disso, o Brasil é signatário da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (de 22 de novembro de 1969, ratificada pelo Brasil em 1992) onde no artigo 3 é estipulado que “toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e expressão. Esse direito inclui a liberdade de procurar, receber, e difundir informações e idéias de qualquer natureza, sem considerações de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha”. E segue: “não se pode restringir o direito de informação por vias e meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de freqüências radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão da informação , nem por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de idéias e opiniões.”

Não termina aqui. Ser signatário de uma convenção internacional significa que “os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais” (CF, artigo 5, inciso LXXVIII, parágrafo 3º).

Até o dia 17 de junho de 2009, o incauto sem diploma de jornalismo que tivesse a idéia de imprimir um jornal e vendê-lo na esquina podia ser preso porque ele devia pedir licença ao papai Estado.

Fez-se justiça, o direito de expressão, comunicação e impressão pertence ao cidadão, não a uma categoria. Só não via quem se fazia de cego.

Cabe ressaltar que a profissão não foi desregulamentada, mas apenas do artigo 4º, inciso V do Decreto-lei nº 972/1969, no qual “o exercício da profissão de jornalista requer prévio registro no órgão regional competente do Ministério do Trabalho Previdência Social, que se fará mediante a apresentação de: V - diploma de curso superior de jornalismo oficial ou reconhecido registrado no Ministério da Educação e Cultura ou em instituição por este credenciada (...)".

Agora se espera que outras leis, em contradição com as citadas acima, eliminem as exigências de registro em órgãos do Estado ou autarquias, como as de ator e de músico, e tenham o mesmo destino: o lixo histórico.

Afinal de contas, se você, caro e escasso leitor, desejar escrever uma peça e encená-la ou montar uma bandinha e sair tocando por aí ainda é necessário pedir permissão ao Estado, ao contrário, cana! Isso é liberdade?

Fingimos não saber?






Fórina

Fingimos não saber?
Ano a ano, o governo do estado tenta empurrar novas regras que vão gradativamente mitigando o poder das univeridades públicas. A cada vez, uma parcela dos estudantes, professores e funcionários, se mobiliza na tentativa de levar à população informações que seriam de outra forma ignoradas pela grande mídia. Essa costuma se fazer de surda por dias e até meses, até que alguma coisa toma proporções grandes demais para se fingir que nada está acontecendo.
Com os jornais online, a participação dos leitores tem apontado para um novo padrão de interação entre meio e público, e também de leitores entre si. Pois que Alguns dos tais fóruns de discussão sobre a última greve de estudantes, professores e funcioinários das universidades do Estado de São Paulo parecem revelar algo das cicatrizes deixadas pela ditadura, que, em termos históricos, não acabou há tanto tempo atrás em nosso país. Ao lado de comentários que parecem fazer um grande esforço em se mostrarem “imparciais” (a imparcialidade a maior ilusão, ou mais explicitamente história pra boi dormir, do jornalismo), encontramos sempre uma variedade de enraivecidos defensores da “ordem” por meio do cacetete e, por que não, das armas de fogo. Para esses, qualquer tipo de manifestação implica em inerente incapacidade e pendor para a inércia dos participantes, os quais, em suas palavras, “não querem trabalhar”.
Ao mesmo tempo me veem à mente um sem número de conversas em que tomei parte – ou que simplesmente fui levada a ouvir devido à grande proximidade entre desconhecidos que ocorre em uma cidade grande – em que os falantes lamentavam a falta de envolvimento do brasileiro com questões políticas (“ninguém faz nada...”) ou a humilhante tendência à corrupção e inação dos políticos “no Brasil” – essa última característica, algo que nos define mesmo como brasileiros, e sem a qual talvez nossa identidade pareça algo incompleto, falho: “Mas no fim, não dá em nada...”, “Acaba tudo em pizza!”. Com frequência das mesmas bocas se pode ouvir frases como “O Brasil precisa é de educação”.
A incoerência de tais discursos me faz pensar que a ditadura nos criou um certo gostinho por, hum, como direi... se ferrar mesmo, ao ponto de certas pessoas sentirem a necessidade de defenderem um privilégio que nao é para elas, ficando com esporádicas migalhas ou mesmo sem participarem de forma alguma nos resultados da pilhagem... e esse jogo de associações vai me trazendo à memória aquela canção do Tom Zé, cuja letra é mais ou menos assim:
“De vez em quando todos os olhos se voltam pra mim
De lá do fundo da escuridão
Querendo apanhar, querendo que eu bata, querendo que eu seja um deus...
Mas eu não sei de nada, eu não sei de nada, eu não sei de nada, eu não sei de nada, eu não sei de nada...
Mas eu sou até fraco, eu sou até fraco, eu sou até fraco, eu sou até fraco, eu sou até fraco...”
Pode ser que ela jogue uma luz sobre motivações provavelmente inconscientes de quem faz tanta questão de que qualquer assunto ou tentativa de diálogo que exijam um posicionamento seu como indivíduo participante de uma sociedade sejam encerrados pela ação, preferencialmente truculenta, da polícia...

19 de jun. de 2009

ladrões






Fernanda Pompeu

Uma história é que de quem a viveu ou de quem a escreveu? Pergunta simples, polêmicas respostas। Talvez por isso, a humanidade – dos hieróglifos à internet – siga na volúpia dos registros.
Quem viveu esta história foi meu amigo Celso Linck. Ele contou, eu surrupiei. Dito de maneira elegante: ao externá-la, ele a tornou de domínio público. Ao escrevê-la, me transformo em autora.
Vamos a ela. Meu amigo, quando menino, morava no bairro de Pinheiros. Na rua Arruda Alvim, havia uma fábrica de chocolates. Seja por que os odores, a população, o tráfego - nos meados de 1970 - fossem menores ou por qualquer explicação, o cheiro do cacau beneficiado dominava meia quadra.
Celso e uma patotinha faziam o seguinte: saiam de casa, corações acelerados, paravam em frente ao muro da fábrica, levantavam os pezinhos e aspiravam o inebriante aroma do chocolate.
Ao ouvir a história, me encantei com sua simplicidade e miniatura. Lembrei dos que dizem que o endereço da poesia é a eternidade do instante. E seu número de telefone, o nosso olhar.

18 de jun. de 2009

DUELO






Dr. Tupi

A FIA, entidade máxima da Formula 1, controlada por Max Mosley e a FOTA, associação que representa os times, estão em um verdadeiro braço de ferro para ver quem manda na categoria. De um lado esta Mosley que está impondo um limite radical de gastos para a próxima temporada, para que dessa forma equipes pequenas com orçamentos nanicos se interessem em ingressar na categoria. Diz Mosley que a idéia é tornar a F1 mais acessível para investidores; e para os torcedores será muito mais empolgante de assistir por que os times terão pouco dinheiro para investir no carro e consequentemente os carros serão extremamente parecidos. Do outro lado esta a FOTA que considera tal limite um absurdo e um afrontamento de Mosley. Dizem os times que o desenvolvimento do carro será comprometido e possivelmente ate perigoso, não faz sentido para os times limitar o desenvolvimento tecnológico tão característico da categoria. Além disso, as gigantes como Ferrari e Mercedes-Benz já disseram que não querem dividir a mesma categoria com equipes de pouco prestigio.
Nesse impasse o torcedor vem acompanhando a cada semana uma nova reunião entre Mosley e os times com certa impaciência e apreensão. Afinal de contas, um compromisso de ambas as partes parece difícil de se chegar, ninguém quer ceder e tudo indica que a F1 pode perder a presencia da Ferrari e McLaren no grid do ano que vem.
Enquanto isso, Rubinho..... Bem Rubinho é outra historia. Deve ser difícil um dia perceber que não existem mais desculpas para a falta de vitórias. Pela segunda vez na carreira, Rubinho tem um carro fantástico, uma maquina de vitórias, e pela milésima vez ele não faz nada a respeito disso. É melhor torcer para o Bruno Senna.

16 de jun. de 2009

Lula, líder bolivariano






O Gringo Ignorante

A presença do presidente Lula na OIT têm um alto valor simbólico e político. Seu discurso na defesa do emprego e dos setores mais necessitados, foi bem recivido na Ginebra, frente ao recente avançe das direitas conservadoras nos comicios europeus. Ao contrario desses governos o Brasil não fez pagar a crise aos mais pobres, trabalhadores e imigrantes. Acabam de ser legalizados milhares de imigrantes ilegales que são normalmente os alvos preferidos dos governos quando a crise assoma. E ainda mais importante, a verdadeira receita pra acabar com a imigração forzada dos paises mais pobres aos ricos, é trabalhar nas economias desses paises mesmos, fazendo o desemprego diminuir mediante acordos e cooperação. Tambem a cooperação sul-sul foi mentada pelo Lula no seu discurso (os acordos com Africa, Haiti, Palestina, etc).
Ninguem cresce sozinho, não da pra o Brasil avançar muito mais se os vizinhos ficam pobres: Essa repetidissima ideia do presidente é tão verdadeira que são poucos os que a entendem. Como imigrante que sou, sempre olho com atenção a politica exterior dos governos, e o Lula, nesse sentido é, líder mundial, ele é O exemplo. Não pelo feito com os imigrantes agora, mas pelo que fez com os governos regionais e os governos mais pobres. E não é caridade; ele abre muitos espaços políticos e económicos que ninguem imaginou. So no futuro a gente conseguirá vêr os inúmeros benefícios dessa politica.