8 de mai de 2010

Serra, cadê o Paulinho?



Hector Plasma

Dos nossos teletipos recebemos a seguinte informação sobre um dos presidenciáveis:

Circula na internet uma história inverossímel, mas que ao mesmo tempo revela um pouco da alma do candidato tucano. Há histórias aos borbotões na mídia paulista de jornalistas que ou foram repreendidos diretamente pelo ex-governador ou foram demitidos por seus chefes a pedido do mesmo. Segue a parábola...
Serra foi a uma escola conversar com as criancinhas, acompanhado uma comitiva do Jornal Nacional, da Veja e da Folha de São Paulo.Depois de apresentar todas as maravilhosas propostas para seu governo(se eleito), disse às criancinhas que iria responder perguntas.
Uma das crianças levantou a mão e Serra perguntou:
- Qual é o seu nome, meu filho?*
- Paulinho.*
- E qual é a sua pergunta?
- Eu tenho duas perguntas.
A primeira é "Quanto tempo o senhor vai esperar para sujar a barra da Dilma como fez com a Roseana Sarney??"
A segunda é "Onde sua filha Verônica conseguiu grana para ser dona de 10% do Ebay / Mercado Livre, estudar na Harvard Business School pagando R$ 60.000,00 por mês e ainda por cima "comprar" uma mansão em Trancoso onde o senhor passou o Reveillon???
Serra fica desnorteado, mas neste momento a campainha para o recreio toca e ele aproveita e diz que continuará a responder depois do recreio.

Após o recreio, Serra diz:

-OK, onde estávamos? Acho que eu ia responder perguntas. Quem tem perguntas?
Um outro garotinho levanta a mão e Serra aponta para ele, sorrindo para as cameras da Globo.
-Pode perguntar, meu filho.
-Como é seu nome?
-Joãozinho, e tenho 4 perguntas:
A primeira é "Quanto tempo o senhor vai esperar para sujar a barra da Dilma como fez com a Roseana Sarney??"
A segunda é "Onde sua filha Verônica conseguiu grana para ser dona de 10% do Ebay / Mercado Livre, estudar na Harvard Business School pagando R$ 60.000,00 por mês e ainda por cim a "comprar" uma mansão em Trancoso onde o senhor passou o Reveillon???
E a terceira é "Por que o sino do recreio tocou meia hora mais cedo?".
A quarta é... "Cadê o Paulinho??"

3 de mai de 2010

derrumbes




Fernanda Pompeu

Um dia fora de Sampa foi o suficiente para aniquilarem uma casa da rua vizinha à minha. Quando voltei do litoral, dei de cara com o nada. Essa casa ficou à venda por três anos. Daí alguém comprou e, com muitos reais sobrando, planejou: vou botar tudo no chão e erguer os quartos, as salas, os banheiros, a varanda dos meus sonhos.
Meu espanto foi com a velocidade do fato: quanto é fácil destruir, derrubar, desmontar, desfazer, delinquir. Quanto tempo precisa para construir uma casa? Um ano? Um ano e meio? Quanto tempo se gasta para derrubá-la? Dezesseis horas? Dezessete horas e treze minutos?
Impossível se furtar às analogias. Quantas décadas para aperfeiçoar uma democracia? Quantas semanas para instaurar uma ditadura? E um texto? Um dia inteiro para redigir cinco parágrafos curtos? Quatro minutos para ler e passar para outro assunto?
Mas a pergunta mais intrigante é quanto tempo levamos para esquecer?
Na minha adolescência, estudei num colégio que funcionava em um casarão. Havia salas enormes, escadarias de madeira que rangiam sob o tropel das alunas. Havia um auditório com portas laterais que se abriam para um alpendre. No pátio do recreio, árvores carregadas de frutas. Tinha também um refeitório magnífico.
Derrubaram tudo em duas semanas. Necessitaram de dois anos para pôr no lugar um prédio de supermercado. Feio na sua arquitetura de quadrado. Opressivo na sua ausência de janelas, árvores, graça.
Um mastodonte a mordiscar as ranhuras da memória.