28 de nov de 2008

TERCEIRO MANDATO DE LULA NÃO É APROVADO


Por Hector Plasma
"A Comissão de Assuntos Políticos da Câmara dos Deputados rejeitou a possibilidade do presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, se candidatar a uma segunda reeleição em 2010, ainda que deixou aberto a opção de que a faça em 2014.
Os representantes do PT, proponentes da reeleição imediata, não conseguiram apoio dos outros partidos e o chefe de Estado só poderá voltar a apresentar seu nome para a Presidência em 2014.
Por um votação de 15 a favor e 18 contra, a comissão parlamentar derrotou a proposta de modificar a pergunta do referendo que permitia a reeleição. A Comissão também negou a possibilidade de que Lula continue no Palácio do Planalto durante outros quatros anos, a coalizão "lulo-petista" considera que pode virar o jogo em outra votação, que será feita no Senado Federal ainda neste ano.
Sem embargo, os autores da modificação da proposta do Referendo, os legisladores Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) asseguram que o grupo governista não pode "violentar" as normas constitucionais para manter Lula no poder. "Não é possível nem mesmo se pensar modificar o que se aprovou, não se pode violentar tão dramaticamente as normas constitucionais e legais. É atentar violentamente contra os princípios constitucionais de um Estado democrático", disse Arthur Virgílio.
O Senado também já havia rejeitado no final de outubro incluir na reforma política um artigo que abria a possibilidade para uma segunda reeleição do atual governante. Depois da negativa da Câmara dos Deputados somente poderá conseguir a reeleição através de um referendo popular, para o qual já se estão recolhendo assinaturas e atualmente se estuda a realização no Congresso"
Quem acreditou nessa matéria?
Talvez muitos, porque a imprensa nacional tem corneteado durante meses essa possibilidade. Não só no Brasil, mas nos países latino-americanos que passam por “governos populistas” e com tendência “ditatorial”, como Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador.
Mas quem efetivamente apresentou a emenda que permitiria a reeleição foi o Álvaro Uribe, da Colômbia.
Com certeza não ficaremos sabendo disso através das bocas nervosas dos nossos comentaristas rococós. Com certeza essa notícia desmancharia os desejos de muitos incautos.
Leia a íntegra e a versão correta da reportagem aqui

24 de nov de 2008

gente vip


Fernanda Pompeu

Somos nós e nossas influências. Pela vida, vamos aprendendo com os saberes alheios. Lembramos de alguns, pelas falas exatas. De outros, pelos silêncios precisos.
Faz três anos, saltei na garupa de uma picape 4x4 e subi ao Quilombo Kalunga, encravado na Serra Geral, em Goiás (quase divisa com Tocantins).
Lá conheci uma quilombola, de nome Procópia, com 70 e tantos anos. Líder comunitária apontava - como quem aponta para estrelas no céu - a direção das lutas. Analfabeta, trouxe a escola primária para o Quilombo. “Quando ouço a garotada lendo, morro de orgulho.”
Foi parteira por todo o sempre, por onde passa é saudada: “Benção, Mãe Procópia.” Sem pré-natal, sem ultra-sonografia, perdeu a conta de quantos ajudou a nascer. “Porque fazia ou a criança não nascia.”
Na década de 80, Procópia impediu a construção da Hidrelétrica Foz do Bezerra que inundaria as terras kalungas - terras onde a comunidade mora faz mais de 200 anos. Ela e a amiga Santina pegavam uma canoa no tortuoso rio Paranã e tocavam para gabinetes políticos em Brasília.
Perguntada como conseguiu engavetar a hidrelétrica, respondeu: “Minha filha, sempre me dirigi aos poderosos com verdade e firmeza no coração.” Só isso? “Não, também é preciso falar olhando no olho.”

Bacalhau a Gomes de Sácolada.


por Olmeca de Tlachtli – o 1º boleiro da história

O grande duelo entre duas das mais badaladas potências do futebol, foi uma festa, digamos, “cinco estrelas”.

Por que eu só vi uma seleção em campo, e essa (finalmente!!!), foi digna de vestir o sagrado manto amarelo. Você já percebeu que a seleção só gosta dos grandes jogos? Sempre que a colocamos diante de um timeco, ela naturalmente diz: O quê? Vou sujar o manto jogando Desafio ao Galo? Não! Eu quero é holofote, imprensa internacional, glamour e um desafio a altura e peso – não estou falando do Fofômeno - da minha camisa!

E foi exatamente o que ocorreu contra Portugal. Placar de jogo de tênis: 6 a 2. (Roda, roda, vira, solta, roda e vem…)

Kaká desfilou como um perfeito passista de escola de samba, regendo a bateria no recuo com soberba maestria. Já o “puto” – calma, em Portugal significa garoto, ok?- parecia estar apenas preocupado com os holofotes. Logo ele, que tem encantado o mundo com jogadas mirabolantes pelo poderoso time dos Reds, no futebol inglês.

Cristiano Ronaldo – ou Cristiano Sonaldo – não foi capaz de realizar um único lance de perigo, uma única jogada digna de melhor do mundo. O único jogador português que atuou da forma que todos nós esperávamos foi Simão Sabrosa. Esse jogador já me chamou a atenção na Copa de 2006.

E, para piorar ainda mais a vida da pátria irmã, Kaká teve a companhia endiabrada do Fabuloso, que fuzilou a Nau portuguesa com três tiros de canhão. Esse sim, um nome fortíssimo para ser o novo dono da camisa 9 da amarelinha.

Se o Dunga tiver um pai de santo para salvar sua pele, aposto que é o Pai Fabiano! (Mi zin fio!)

Kaká mostrou mais uma vez do que é feito um Melhor do Mundo. Um jogador top precisa antes de mais nada servir de exemplo para aqueles que se espelham nele. Kaká é tudo o que se espera de um grande craque: joga muito, faz gols, comanda a equipe, e fora de campo possui um comportamento digno de um monge budista.

Já o puto, é sem sombra de dúvida o grande jogador europeu da atualidade, que possui extrema habilidade, velocidade e faro de gol – matador!. Mas, a sua velocidade em falar bobagens é tão grande quanto seus dribles, talvez pela sua diarréia mental diária, com doses de noitadas (Blood Mary, please?) e um ego do tamanho de sua língua.

Qualquer um deles caíria como uma luva em qualquer time do mundo.

E se você, - imagine-se um Roman Abramovich - tivesse que escolher apenas um deles para seu time? Qual seria?

Nova Coluna


Curvai-vos todos ao primeiro. Sim, o primeirão!
Pelé? Não. Foi apenas um bom (diria ótimo) aprendiz daquilo que passei pelas gerações seguintes.
Maradona? Hum, deixa pra lá...
Eu sou aquele em que Charles Miller se inspirou para aprimorar o maior esporte do planeta: O futebol.
Eu sou aquele em que Leônidas da Silva pensou no momento em que deu sua primeira bicicleta.
Eu sou a mão que defendeu a cabeçada de Pelé – e a mesma que fez o gol da Argentina – em Gordon Banks.
Eu sou aquele que deu o primeiro canhão de Rivellino.
E
u sou aquele que ensinou Romário a ter a “manha” para fazer gols.
Eu sou aquele que ensinou Ronaldo Fenômeno a ser um fenômeno.
Eu sou aquele que ensinou Cafú a cruzar.
Eu sou aquele que ensinou o Telê a ensinar o Cafú, a...você já entendeu, né?

Eu sou o Olmeca de Tlachtli, o 1º boleiro da história do futebol.

17 de nov de 2008

tiro no coração



por Fernanda Pompeu

Sempre quis reunir, em um livro, lembranças de testemunhas (no caso, radiofônicas) da morte de Getúlio Dornelles Vargas. Duas vezes no poder, uma como ditador; outra como presidente eleito. Também autor da célebre lorota “esse povo de quem fui escravo (...)”.
Contam que alguns cidadãos teriam se enforcado; outros, cortado os pulsos ao saberem da morte do governante. A verdade é que o povo chorou, sem o empurrãozinho da televisão pois, na época, era só para rico ver.
Ainda não fui capaz de levar adiante o projeto do livro (espero que nenhum navegador da ONG Pi roube-me essa excelente idéia). Ao menos, tenho o título: “Onde você estava?”
Eu não estava no planeta na fatídica manhã do 24 de agosto de 1954. Mas minha mãe preparava um merengue(era aniversário dela), quando a vizinha entrou e gritou: ele morreu!
Estava tão desesperada que minha mãe pensou que o marido da amiga, o Quinzinho, havia sofrido um desastre. Ainda em prantos, a vizinha completou a frase: Getúlio se suicidou no Palácio do Catete.
Nem preciso escrever que, nessa noite, ninguém saboreou o merengue.

14 de nov de 2008

O congestionamento não pode parar


por Hector Plasma

Nesta terça-feira (11/11) uma linha de crédito de R$ 4 bilhões de reais foi liberada pela Nossa Caixa para as montadoras. Somados aos outros R$ 4 bi, liberados pelo Banco do Brasil, são 8 bi para financiar aquilo que toda cidade adora: congestionamento e poluição.

Na eleição municipal do pouco debate que houve, se houve, foram discutidas as soluções para o trânsito da cidade. E por unanimidade a saída é o metrô e transporte público.
Tanto foi que num show de pirotecnia política e inversão de prioridades o prefeito Kassab passou um cheque para o governador para 'ajudar nas obras do metrô'. Ressalta-se que o 'checão' de R$ 198 mi é insuficiente para construir 1 km de linha.

Contraditoriamente nunca se viu tamanha boa vontade e agilidade dos governantes para o transporte público como receberam as montadores.

Muito pelo contrário, as verbas para ele, durante anos foram cortadas em nome da gestão. Para se ter uma idéia, nos últimos 13 anos só foram construídos 1 km de metro, em média, por ano na cidade de São Paulo. O valor liberado pelo governo de São Paulo seria suficiente para construir 13 km, ou seja, em um só golpe foi destinado às montadores justamente
aquilo que a dinastia, ainda em curso, do PSDB destinou em 13 anos ao metrô.

Além disso o dinheiro premia novamente um setor que sempre ganha. Há dois meses a Anfavea bateu o pé e decidiu não cumprir o acordo da feito em 2002 para redução do enxofre no diesel de 500ppms para 50ppms prevista para 2009.

Tempos de crise sempre é a melhor hora de rever paradigmas.
Insistir no carro será sempre um grande erro.
Saiba mais
SP: Ajuda a montadoras criaria 13 km de metrô
Anfavea e o acordo



12 de nov de 2008

Na Faixa


Uma listra pintada em sentido horizontal sobre o asfalto da rua, me avisa que naquele ponto é seguro atravessar de uma calçada para outra. Normalmente esta mensagem se apresenta com um forte ruído, na forma de um automóvel atravessado sobre ela.
Talvez o fato de a leitura da mesma faixa se dê na vertical para quem está dentro do automóvel dificulte o entendimento da mensagem.

10 de nov de 2008

bumerangue



por Fernanda Pompeu

Minha tia Marlene, que não está mais por aqui, amanheceu um dia dizendo vou para Brasília. Foi antes da inauguração, quando a futura capital do país era um enorme canteiro de obras dando realidade aos sonhos de arquitetos, paisagistas e políticos.
Contam que os candangos e candangas (o pessoal que pôs a mão no barro vermelho e nas cuecas e shorts para lavar) deram um duro danado para erguer o plano piloto - o tal avião - que, uma vez pronto, os expulsaria para as cidades- satélite.
Contam também que o presidente JK era um homem feliz. Gostava de bossa-nova, da revista O Cruzeiro e de frases de efeito retumbante construir 50 anos em 5.
Foram fortes as críticas. A maior delas: de que a nova capital não teria esquinas. Viver em uma cidade sem esquinas é provar um caldeirão de feijão sem tempero. Tal crítica revelou-se infundada. Os brasilienses criaram suas esquinas, só que em formato diferente.
Assim como, em uma manhã, minha tia se foi; em uma noite, voltou. Trouxe para mim um presente. Uma pequena bota de louça, com uns 10cm de altura. Dessas em que cabem duas esferográficas bic apertadinhas. A bota era o símbolo da construção de uma cidade no meio do nada.
Passados tantos anos, quando o piloto brinda os passageiros com a aconchegante mensagem em poucos minutos aterrissaremos no aeroporto internacional Presidente Juscelino Kubitschek, a imagem da bota me assalta o coração.

6 de nov de 2008

Oh!Bama!

não importa
se é preto ou branco
democrata ou republicano
ainda assim
continua americano

Obama nas Alturas


vamos ver...

5 de nov de 2008

Surpresa

por Fernanda Pompeu

5 de novembro
Amanheço com a confirmação: Barack Obama presidente dos Estados Unidos.
Um negro na Casa Branca. Se há um ano alguém me falasse nessa posibilidade, eu perguntaria: "Você acredita em Papai Noel?"
Continuo sem acreditar em Papai Noel. Mas cantarolo uma letra de salsa: "a vida terá surpresas, surpresas terá da vida".
Hoje, volto a crer que mudanças culturais profundas não são utopias.
É isto aí: os norte-americanos fizeram um golaço pelo time da utopia.
Quem diria!

Nova Coluna


Baú sem Fundo na ONG Pi
Baú é lugar para guardar coisas imprestáveis que amamos. Sem fundo remete a infinito e à falta de dinheiro. Misture reminiscências, infinitudes, falta de verba e você chegará até a Fernanda Pompeu. A coluna contará paisagens político-culturais vividas (e, às vezes, inventadas) dos séculos XIX e XX. Mas Baú sem Fundo também se amarra no presente e morre de saudades do futuro.

o mundo era simples



por Fernanda Pompeu

Em 1971, eu tinha quinze anos, morava no Rio de Janeiro. Além do mar, das montanhas, do barquinho e do violão, sofríamos com o fascismo da ditadura militar. Excetuando o futebol e o sexo dos anjos, ninguém podia debater livremente sobre nada. Quer dizer, até podia, mas virava suspeito de subverter a ordem e o progresso. O país parecia ter apenas dois lados. Tudo cabia em duas gavetas.
A gaveta da direita tinha: EUA, burguesia, Nelson Rodrigues, O Globo, chiclete, padre com batina, Roberto Carlos, Coca-Cola. A da esquerda enfileirava: URSS, proletariado, Dias Gomes, Jornal do Brasil, rapadura, padre sem batina, Chico Buarque, Guaraná.
Mas havia um jornal - autodenominado O Pasquim (na raiz da palavra, jornaleco) - que, aos meus olhos, fugia das gavetinhas. Seus colunistas, chargistas, convidados eram francamente contra a ditadura militar que, por sua vez, vivia censurando a publicação. No entanto, a turma do Pasquim destoava de um certo mau-humor de esquerda. O jornaleco possuía um dom raríssimo para a época e para os dias de hoje: era irreverente.
Ao mesmo tempo que clamava pela democracia, entrevistava o Madame Satã (o que nenhum jornal de esquerda sério pensaria em fazer). O jornaleco também tirou o terno e a gravata de textos e ilustrações. Leia a lista de alguns craques: Tarso de Castro, Paulo Francis, Sérgio Augusto, Ivan Lessa, Jaguar, Millôr, Ziraldo e o indelével Henfil.
Recordo a sensação subversiva de comprar o Pasquim na banca da Praça XV e me instalar na barca Rio-Niterói. Eu dividia meu olhar entre a exuberante baía de Guanabara e as páginas de um jornal que, na minha paixão juvenil, era o mais importante do mundo.

Análise das Análises

Por Hector Plasma*

As orquestras de analistas tocaram em uníssono: Serra foi o grande vencedor das eleições municipais de 2008. Vencedor do que?

Um vencedor, pela acepção da palavra, deve superar algo. Quais obstáculos Serra superou? Certamente o único foi ter soterrado seu companheiro de partido Geraldo Alckmin. E só.
Basta comparar os dados das últimas eleições municipais para se notar resultados diferentes. Quem sistematicamente têm vencido são os principais partidos da base aliada do governo Lula, ao passo que os principais partidos de oposição, aqueles que Serra fechou aliança em São Paulo, estão minguando no aspecto político nacional.
Estranhamente esse cálculo não foi feito pelos analistas de plantão. Preguiça, ou alergia à poeira dos arquivos?



Se for aplicada aquela lógica que eleição municipal será um dos reflexos da presidencial de 2010 fica claro que a vitória de Serra não existiu.
O PSDB teve um encolhimento de quase 10% no total de prefeitos eleitos, o DEM diminui 37% e o PPS encolheu 58%. Deve-se ressaltar que o PPS só teve um crescimento de quase 100% entre as eleições de 2000 e 2004 porque naquela época era da base aliada do governo Lula.



Em contrapartida os principais partidos da base aliada só cresceram. O PT teve 43% a mais de prefeitos eleitos em relação a 2004. O PSB cresceu 80% e o PC do B quadruplicou.
O PMDB manteve-se como o partido que mais elegeu prefeitos, tanto em 2004 e 08, e ampliou sua base em 14%.
No total, a oposição perdeu 28% das prefeituras que tinha em 2004, ao passo que a base dos partidos aliados cresceu 27%.



Portanto qual foi a vitória de Serra anunciada pelos analistas? Ter-se aliado ao PMDB do Quércia, hoje um cacique isolado? Ter vencido a Marta com toda sua rejeição na cidade de São Paulo?

Alguém tem uma pista?

* Um fantasminha que adora arquivo morto.