
Olmeca de Tlachtli
Acabou. O Brasileirão 08 chegou ao fim, e com ele mais um caneco conquistado pelo tricolor do Morumbi. Hexacampeão!
Muricy Ramalho entrou para o seleto grupo dos treinadores outstanding – fica mais chique escrever em inglês – com três títulos brasileiros de forma consecutiva, se igualando ao saudoso Rubens Minelli, também com três canecos.
A diferença é que Muricy foi o único a conquistar os três títulos com o mesmo clube.
AH! Continuando com minha teoria dos “gols xenical”, ontem o tricolor provou mais uma vez que tem uma largura do tamanho da Avenida Paulista.
Hugo errou o chute e caprichosamente a pelota foi parar no pé esquerdo do predestinado Borges – o rei dos gols cagados – e desta vez com um plus: gol cagado com um toque de salto triplo alá Maurren Maggi, o que resulta no não menos famoso “gol xenical flatulento”.
Borges estava mais de um metro impedido! O que não tira o mérito do tricolor, mas deixa mais uma vez em evidência a falta de preparo dos bandeiras.
Esse é o São Paulo: retrato de um time que, com um pouco mais de organização e visão que os demais, ganhou uma significativa vantagem competitiva e o tornou o maior dos vencedores no cenário nacional. E um time campeão sempre tem, além de tudo, sorte.
Gosto amargo no chimarrão dos gaúchos – do lado azul, claro! – que deixaram o tricolor chegar e o custo disso todos nós sabemos.
Impressionante a incompetência – e a sorte - do Palmeiras, que contou com a fortuna de todos os outros concorrentes pelas vagas na Libertadores 09 terem perdido – ok Cruzeiro, você venceu! - seus jogos. Milagre de San Gennaro (ou de São Marcos).
Em relação ao Flamengo, o urubu anda realmente rondando a Gávea. O rubro-negro carioca deixou escapar uma vaga na libertadores 09 dada como certa, e encerrou de forma melancólica o Brasileirão 08.
E o Vasco? Mais um dos grandes que vai pro buraco. É triste vermos a fraqueza de um gigante do futebol nacional. A aposentadoria de Edmundo – o Animal – não poderia ter sido mais manchada.
Um jogador polêmico, mais de futebol incontestável.
Um grande clube, de futebol tão pequeno.
Você já reparou que os rebaixados sempre possuem características em comum?
Administração duvidosa, times medíocres, salários atrasados, negociações nebulosas e dirigentes fanfarrões. Essa é a fórmula do coquetel molotov do futebol.
Parabéns, Tricolaço.
E breve regresso ao Vasco.
8 de dez. de 2008
Tricolaço!
Saia desse corpo que não (mais) te pertence

Hector Plasma
Qual foi a explicação para a nomeação de Henrique Meirelles para o chefe do Banco Central?
Na época, 2003, era pelo seu trânsito pelo mercado financeiro e por ter sido presidente do BankBoston. Eram os tempos em que se acreditava no capitalismo de papel, com seus 'investment grade', 'agências de rating' e no combate da inflação através da taxa de juros.
Eram os tempos em que se avaliava, para o bem e para o mal, um país apenas por uma planilha de Excell.
Mas tudo virou pó, assim como o pensamento dominante do Copom do qual Meirelles é o chefe.
Agora é a hora da produção, do crédito para a produção e de taxas de juros visando a produção. Então qual a explicação para a manutenção de Meirelles no BC?
Ou Meirelles encarna outro espírito ou desencarna do cargo. É o começo de uma nova novela que veremos na próxima reunião do Copom, dias 09 e 10 de dezembro
5 de dez. de 2008

Ai de mim, Tijuca!
Fernanda Pompeu
O Instituto Lafayette ficava na rua Conde de Bonfim, Rio de Janeiro. Lá estudávamos meninas de classe média, todas brancas e, no final dos anos 60, sem muitos sonhos de ingressar numa faculdade. A maioria contentava-se em concluir o fundamental e só.
Eu morria de inveja do outro Lafayette, também na Tijuca, na rua Haddock Lobo, só para meninos. Tudo deles era mais vantajoso, a começar pelo prédio maior e mais bem equipado. A continuar pelos então cursos clássico e científico que só eles tinham.
Enquanto o Lafayette das meninas oferecia um laboratório de ciências com pássaros empalhados e um único esqueleto meio corpo; o Lafayette dos meninos ostentava tubos de ensaio, pias com torneirinhas e esqueletos inteiros.
A única vantagem que contávamos (a nós mesmas) era a de que o casarão, em que os professores fingiam que ensinavam e as alunas fingiam que aprendiam, havia sido a residência, por quase meio século, do Duque de Caxias – patrono do Exército Brasileiro.
Gostava de imaginar que Caxias havia engravidado a frase de efeito “quem for brasileiro que me siga” na sala em que decorávamos os tempos verbais. Gostava de imaginar que no teatro, onde não acontecia nada, o Duque ouvira o concerto da vitória sobre os paraguaios.
Depois tudo se transformou. Eu mudei para São Paulo; Caxias, de herói para serial killer. O histórico casarão foi ao chão. No enorme terreno, ergueram uma espécie da galpão. Hoje é um supermercado Sendas.
4 de dez. de 2008
3 de dez. de 2008
testemunha ocular

Fernanda Pompeu
Tinha eu doze anos, quando meu pai perguntou se eu queria participar da grande passeata que prometia sacudir, no 26 de junho, a cidade do Rio de Janeiro e reverberar nos quartéis. Ele era então um comunista de carteirinha, desses que arriscavam o pescoço militando nas células do PCB.
Eu, uma adolescente embriagada por todos os sonhos do varejo e do atacado. A revolução, à luz da minha inocência, estava na virada da esquina, ao alcance do desejo.
O ano era 1968 – havia começado com o assassinato do estudante Edson Luís, 18 anos, no restaurante Calabouço; continuado com o acirramento de várias repressões e findaria com o famigerado AI-5, presente de natal da ditadura para os brasileiros.
Meu pai e eu passeateamos de mãos dadas. Formávamos um par interessante. Ele bem mais velho do que os universitários, eu bem mais nova. Íamos compenetrados no meio da multidão e engrossávamos o repertório das palavras de ordem.
O coro de vozes, para ganhar adeptos, gritava: você que é explorado, não fique aí parado. Das janelas dos prédios, choviam papel picado e aplausos. Um raro momento de comunhão da sociedade civil democrática.
Passados 40 anos da histórica Passeata dos Cem Mil, o que ficou? Deixo as respostas para cada leitor. Para mim, restou a oportunidade de contar isso.
1 de dez. de 2008
Perrrdeu, Preibói!

por Olmeca de Tlachtli - o 1º boleiro da história
Boleiros,
Passada a sensacional penúltima rodada do brasileirão, pouca coisa mudou.
No jogo mais importante da rodada, o duelo de tricolores terminou num empate com sabor bastante amargo para o time do Morumbi, que diante de sua confiante torcida não desenvolveu um bom futebol.
Tartá abriu o placar para o fluzão, em boa jogada do carrasco Washington. Esse empate garantiu o flu matematicamente na série A.
Borges fez o - gíria de boleiro, ok?- chamado gol cagado. Foi tão cagado que resolvi batizar de “gol xenical”. E o que esse gol teve de lactopurga, também teve de importância para o jogo, pois foi esse lance que acendeu o São Paulo para o restante da partida, e pode mostrar também que o Fluminense tem sim um bom time, com jogadores capazes de desequilibrar uma partida (ótimo jogo de Arouca para o Flu e de André Dias para o Sampa).
O Grêmio – depois da vacilada incrível na semana passada – fez o óbvio e sacolou o limitado time do Figueirense – 4 x 1 -, mantendo o Brasileirão 08 emocionante até seu último segundo.
Espantoso como o Flamengo é amaldiçoado em determinados jogos no Maracanã. Hoje foi um bom exemplo para relembrarmos o fatídico Maracanazo da Copa de 50. O fla chegou a fazer –pasmem! – 3 x 0 no modesto time do Goiás e conseguiu ter a proeza de ceder o empate. É nessas horas que eu realmente entendo o mascote do fla ser um urubu! Vai ser zicado assim lá na Gávea!
Quem adorou o resultado foi o Palmeiras, que apesar do magro empate com o Vitória – 0 x 0 -, acabou terminando a rodada na zona para a Libertadores 09.
Na zona do rebaixamento a briga também está de arrepiar. A vitória do Vasco sobre o Coritiba – 2 x0 – manteve viva a esperança do time lusitano.
Ah, por falar em lusitano... Aqui jaz a lusa. A Portuguesa não tem mais chances de escapar da guilhotina e morreu abraçada com o outro já rebaixado: o Ipatinga, que pareceu mais uma espécie de “time bônus” do que uma equipe de futebol profissional.
Acho que meu time aqui da rua ganharia do Ipatinga facin facin. E o passe da galera custaria uma coxinha e uma coca-cola.
Chegamos aos mil gols no BR 08! O que mais uma vez mostra um campeonato disputadíssimo e de times bastante ofensivos.
Esse é o Brasileirão 08. Vacilou, perrrdeu preibói!
E quanto ao Grêmio? Será que ainda dá?
28 de nov. de 2008
TERCEIRO MANDATO DE LULA NÃO É APROVADO

Por Hector Plasma
"A Comissão de Assuntos Políticos da Câmara dos Deputados rejeitou a possibilidade do presidente brasileiro, Luís Inácio Lula da Silva, se candidatar a uma segunda reeleição em 2010, ainda que deixou aberto a opção de que a faça em 2014.
Os representantes do PT, proponentes da reeleição imediata, não conseguiram apoio dos outros partidos e o chefe de Estado só poderá voltar a apresentar seu nome para a Presidência em 2014.
Por um votação de 15 a favor e 18 contra, a comissão parlamentar derrotou a proposta de modificar a pergunta do referendo que permitia a reeleição. A Comissão também negou a possibilidade de que Lula continue no Palácio do Planalto durante outros quatros anos, a coalizão "lulo-petista" considera que pode virar o jogo em outra votação, que será feita no Senado Federal ainda neste ano.
Sem embargo, os autores da modificação da proposta do Referendo, os legisladores Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) asseguram que o grupo governista não pode "violentar" as normas constitucionais para manter Lula no poder. "Não é possível nem mesmo se pensar modificar o que se aprovou, não se pode violentar tão dramaticamente as normas constitucionais e legais. É atentar violentamente contra os princípios constitucionais de um Estado democrático", disse Arthur Virgílio.
O Senado também já havia rejeitado no final de outubro incluir na reforma política um artigo que abria a possibilidade para uma segunda reeleição do atual governante. Depois da negativa da Câmara dos Deputados somente poderá conseguir a reeleição através de um referendo popular, para o qual já se estão recolhendo assinaturas e atualmente se estuda a realização no Congresso"
Quem acreditou nessa matéria?
Talvez muitos, porque a imprensa nacional tem corneteado durante meses essa possibilidade. Não só no Brasil, mas nos países latino-americanos que passam por “governos populistas” e com tendência “ditatorial”, como Venezuela, Bolívia, Paraguai e Equador.
Mas quem efetivamente apresentou a emenda que permitiria a reeleição foi o Álvaro Uribe, da Colômbia.
Com certeza não ficaremos sabendo disso através das bocas nervosas dos nossos comentaristas rococós. Com certeza essa notícia desmancharia os desejos de muitos incautos.
Leia a íntegra e a versão correta da reportagem aqui
24 de nov. de 2008
gente vip

Fernanda Pompeu
Somos nós e nossas influências. Pela vida, vamos aprendendo com os saberes alheios. Lembramos de alguns, pelas falas exatas. De outros, pelos silêncios precisos.
Faz três anos, saltei na garupa de uma picape 4x4 e subi ao Quilombo Kalunga, encravado na Serra Geral, em Goiás (quase divisa com Tocantins).
Lá conheci uma quilombola, de nome Procópia, com 70 e tantos anos. Líder comunitária apontava - como quem aponta para estrelas no céu - a direção das lutas. Analfabeta, trouxe a escola primária para o Quilombo. “Quando ouço a garotada lendo, morro de orgulho.”
Foi parteira por todo o sempre, por onde passa é saudada: “Benção, Mãe Procópia.” Sem pré-natal, sem ultra-sonografia, perdeu a conta de quantos ajudou a nascer. “Porque fazia ou a criança não nascia.”
Na década de 80, Procópia impediu a construção da Hidrelétrica Foz do Bezerra que inundaria as terras kalungas - terras onde a comunidade mora faz mais de 200 anos. Ela e a amiga Santina pegavam uma canoa no tortuoso rio Paranã e tocavam para gabinetes políticos em Brasília.
Perguntada como conseguiu engavetar a hidrelétrica, respondeu: “Minha filha, sempre me dirigi aos poderosos com verdade e firmeza no coração.” Só isso? “Não, também é preciso falar olhando no olho.”
Bacalhau a Gomes de Sácolada.

por Olmeca de Tlachtli – o 1º boleiro da história
O grande duelo entre duas das mais badaladas potências do futebol, foi uma festa, digamos, “cinco estrelas”.
Por que eu só vi uma seleção em campo, e essa (finalmente!!!), foi digna de vestir o sagrado manto amarelo. Você já percebeu que a seleção só gosta dos grandes jogos? Sempre que a colocamos diante de um timeco, ela naturalmente diz: O quê? Vou sujar o manto jogando Desafio ao Galo? Não! Eu quero é holofote, imprensa internacional, glamour e um desafio a altura e peso – não estou falando do Fofômeno - da minha camisa!
E foi exatamente o que ocorreu contra Portugal. Placar de jogo de tênis: 6 a 2. (Roda, roda, vira, solta, roda e vem…)
Kaká desfilou como um perfeito passista de escola de samba, regendo a bateria no recuo com soberba maestria. Já o “puto” – calma, em Portugal significa garoto, ok?- parecia estar apenas preocupado com os holofotes. Logo ele, que tem encantado o mundo com jogadas mirabolantes pelo poderoso time dos Reds, no futebol inglês.
Cristiano Ronaldo – ou Cristiano Sonaldo – não foi capaz de realizar um único lance de perigo, uma única jogada digna de melhor do mundo. O único jogador português que atuou da forma que todos nós esperávamos foi Simão Sabrosa. Esse jogador já me chamou a atenção na Copa de 2006.
E, para piorar ainda mais a vida da pátria irmã, Kaká teve a companhia endiabrada do Fabuloso, que fuzilou a Nau portuguesa com três tiros de canhão. Esse sim, um nome fortíssimo para ser o novo dono da camisa 9 da amarelinha.
Se o Dunga tiver um pai de santo para salvar sua pele, aposto que é o Pai Fabiano! (Mi zin fio!)
Kaká mostrou mais uma vez do que é feito um Melhor do Mundo. Um jogador top precisa antes de mais nada servir de exemplo para aqueles que se espelham nele. Kaká é tudo o que se espera de um grande craque: joga muito, faz gols, comanda a equipe, e fora de campo possui um comportamento digno de um monge budista.
Já o puto, é sem sombra de dúvida o grande jogador europeu da atualidade, que possui extrema habilidade, velocidade e faro de gol – matador!. Mas, a sua velocidade em falar bobagens é tão grande quanto seus dribles, talvez pela sua diarréia mental diária, com doses de noitadas (Blood Mary, please?) e um ego do tamanho de sua língua.
Qualquer um deles caíria como uma luva em qualquer time do mundo.
E se você, - imagine-se um Roman Abramovich - tivesse que escolher apenas um deles para seu time? Qual seria?
Nova Coluna

Curvai-vos todos ao primeiro. Sim, o primeirão!
Pelé? Não. Foi apenas um bom (diria ótimo) aprendiz daquilo que passei pelas gerações seguintes.
Maradona? Hum, deixa pra lá...
Eu sou aquele em que Charles Miller se inspirou para aprimorar o maior esporte do planeta: O futebol.
Eu sou aquele em que Leônidas da Silva pensou no momento em que deu sua primeira bicicleta.
Eu sou a mão que defendeu a cabeçada de Pelé – e a mesma que fez o gol da Argentina – em Gordon Banks.
Eu sou aquele que deu o primeiro canhão de Rivellino.
Eu sou aquele que ensinou Romário a ter a “manha” para fazer gols.
Eu sou aquele que ensinou Ronaldo Fenômeno a ser um fenômeno.
Eu sou aquele que ensinou Cafú a cruzar.
Eu sou aquele que ensinou o Telê a ensinar o Cafú, a...você já entendeu, né?
Eu sou o Olmeca de Tlachtli, o 1º boleiro da história do futebol.

