

Amanda Andrade
Quando eu era criança, meu pai ouvia música clássica, minha mãe Roberto Carlos e meu irmão o tal do rock and roll. Aprendi alguns anos mais tarde com minha tia querida a também apreciar a MPB. São todas essas influências que me acompanham até hoje.
Na adolescência vivi uma fase punk rock anarquista rebelde: Ramones, Sex Pistols, Garotos Podres, Cólera. Uma mistura de som, fúria, ideologia e aparências que me garantiram bons momentos.
Ouço na TV uma grande premiação de bandas nacionais e não reconheço nada da nova geração. Vejo Paralamas do Sucesso e me tranquilizo e penso que apesar de super ativa, a banda tem início lá nos anos 80. Estou velha. No trânsito procuro sintonizar algumas rádios diferentes e ouvir um pouco do que acontece fora da minha rotina. Não gosto, na maioria das vezes. Volto então ao de sempre, pois na música prefiro a repetição do mesmo à barulheira da novidade.
Esse final de semana viajei e fui a um bar do interior. Faço parte da roda dos universitários da melhor faculdade da região. Todos, sem excessão, entoam numa só voz, como hinos, canções sertanejas. Lembro do meu passado, da minha infância em Minas. Sorrio. Não canto nada, não conheço e tudo parece tão óbvio que chego a ficar constrangida por estar tão "por fora". O local, o clima e a profissão das pessoas interferem diretamente no que elas ouvem e no que elas são. Penso nas músicas que escuto e percebo um tom tão urbano nelas. Tomo mais um gole. A visão fica turva, as pernas amolecem. É hora de voltar para casa. Voltando para São Paulo, chego à conclusão: respeito todos os estilos de vida, mas nada melhor que o meu bom e velho rock and roll. Como é bom voltar.
12 de out. de 2009
O bom e velho rock and roll
5 de out. de 2009
Primavera de paulista


Amanda Andrade
Abro a janela e a manhã é clara, o sol ameno. Um dia atípico na terra da garoa. Será que vai durar até quando? Pego meu casaco por via das dúvidas, afinal, nunca se sabe.
A brisa causada pela velocidade na rodovia traz apenas boas lembranças. São poucos minutos, mas a sensação de bem estar é duradoura.O céu é azul claro, único. Olho no relógio, vejo as horas, a data no canto do painel. Estamos em outubro, logo logo começam a brotar as luzes do natal. Há tempos não sabemos o que são as estações do ano, mas o mês me faz relembrar. É primavera. A mudança no meio do concreto é sutil, mas perceptível. A rotina nos dá alguns privilégios, como observar todos os dias as mudanças dos mesmos lugares. Há um colorido nas árvores, e no chão formam-se mantos de pétalas das mais diversas formas e cores. Me perco nos meus pensamentos mais profundos olhando o colorido das calçadas. Escuto uma senhora reclamando da "sujeira da árvore". Em setembro pude reparar o ápice de algumas árvores carregadas de flores e que agora começam aos poucos a retomar seu verde habitual. Talvez seja de tanto ouvir a senhora reclamar de sua sujeira. O dia passa lentamente, ao meio dia há um calor tórrido que me lembra as férias de janeiro. A tarde vai aos poucos dando espaço para a lua, e assim também vai caindo a temperatura. Coloco a blusa, afinal, começou a esfriar. Já é noite em São Paulo.
28 de jul. de 2009
Flagelo paulistano


Hector Plasma
Quando se pensa em flagelado nossa mente corre para as décadas de 60 e 70 e lembra as hordas de nordestinos torturados pela seca desembarcando no Sudeste Maravilha.
Cutucando um pouco mais, ela nos traz a indústria da seca onde muitos poucos se beneficiavam do dinheiro público para amenizar o sofrimento, seja desviando verba de caminhões-pipa ou fazendo poços, também com dinheiro público, em suas propriedades.
Flagelo é sinônimo de desgraça, calamidade. Então por que não tratarmos o trânsito de São Paulo como um? Talvez porque flagelo é sempre dos outros, nunca nosso.
Trânsito em São Paulo é um problema sem fim tratado como conjuntural. Viveremos com ele e será sempre ele a marca da cidade, assim como a seca no Nordeste é resultado da massa equatorial atlântica que por motivos naturais chega à região com poucas possibilidades de precipitação.
É estrutural porque a natureza gananciosa do homem planejou a cidade respeitando o desejo da acumulação de capital. A cidade foi se espalhando sem nenhum critério, só ganhou quem loteou.
Dos antigos proprietários de terra que faziam poços em suas propriedades, hoje temos os incorporadores. Eles conseguem espaços na cidade sem levar em conta o efeito que causará. É o caso da região da Berrini. Quando a avenida foi inaugurada se comemorou o feito de ter sido planejada e construída quase sem auxílio do poder público. A família Bratke, proprietária das terras onde foram erguidos os prédios, muitos deles planejados por membros da mesma família, eram heróis.
Hoje a façanha juntou-se ao flagelo. São pessoas que chegam horas antes do início do trabalho para conseguir uma vaga. Chegavam. Agora a prefeitura limitou as vagas disponíveis na Berrini, mas não ampliou as linhas públicas de transporte.
O flagelo não produz somente desgraça, produz estética. Dele saiu Fabiano e a Baleia, personagens de Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Também saiu “Os Retirantes” de Portinari e a Macabéia de “A Hora da Estrela”, de Clarisse Lispector. Todos retirantes.
O flagelo paulista já tem os seus. O Fabiano com seus sons guturais e sua impossibilidade de comunicação são as buzinadas dos motoqueiros e os xingamentos. Dentro de um automóvel somos todos um pouco Fabiano.
Somos também Macabéia pela nossa incapacidade de refletir sobre o cotidiano patético que a cidade flagelada nos oferece. Mas temos as nossas esperanças renovadas quando ouvimos falar em Rodoanéis, ampliação das marginais etc, como Macabéia, a inapta para vida, acreditou num futuro melhor quando foi à cartomante e ouviu tudo o que queria ouvir.
Sorte sempre teve a baleia, um animal humano. Recentemente a prefeitura veiculou uma campanha solicitando a compaixão dos Macabeus Paulistanos para não abandonar animais em vias públicas.
Se o cidadão não merece respeito, pelos menos vamos dá-lo aos animais. Eis o flagelo.
25 de mai. de 2009
São Marcos!


Olmeca de Tlachtli
Mais uma rodada quente nesse BR09!
Um final de semana cheio de gols e de um clássico onde quem brilhou foram os goleiros!
Palmeiras e São Paulo fizeram um grande jogo no Parque Antártica, com muitas chances de gol, mas o 0 x 0 imperou.
Graças a eles. Sim, eles. Os goleiros Marcos e a grata surpresa são paulina, Denis.
Só Uóxito - o coração valente – teve duas chances claríssimas de gol, e não as desperdiçou, muito pelo contrário, finalizou muito bem, MAS quem estava lá? O homem, a lenda, o mito: São Marcos de Palestra Itália. O goleirão do verdão fechou a porteira e garantiu o resultado para o time da casa. Destaque para primeira, aos 38’ do primeiro tempo, em belo voleio cara-a-cara com o monstro.
O tricolor teve muito mais volume de jogo, mas nas vezes em que o Palmeiras subiu ao ataque, sempre levou muito perigo a meta de Denis, que também praticou seus milagres, como numa bela batida a queima-roupa de Keirrison Sucrilhos.
Um lance polêmico: para mim, pênalti de Miranda em Diego Freak Souza. O zagueirão tricolor levou um corte seco e passou o rodo no habilidoso meia do verdão. O juizão Rodrigo Braghetto não entendeu assim e logo o mandou levantar. Muita reclamação por parte do verão e alivio da parte tricolor.
Enfim, um 0 x 0 que poderia ter sido um show de gols. Que me desculpem os torcedores e puristas do futebol, mas show mesmo foi o de defesas. Um empate com sabor de goleada para os dois goleirões!
E o Santos? Literalmente “passou o carro” em cima do Fluminense, que claramente sentiu a eliminação da Copa BR pelo timão.
O peixão não tomou conhecimento do Flu e fez uma goleada incontestável: 4 x 1 com direito a dois gols dele: Klebão Pereira. Tirou a zica geral!
O Flu começou bem, partindo para cima do time da vila, da mesma forma como contra o Corinthians, só que desta vez conseguiu abrir o placar numa bela finalização de Mariano. 1 x 0, e parecia que o fluzão ia dominar de vez a partida.
Mas a maré do Flu não anda das melhores, e numa falta- de novo! – o colombiano Molina meteu o sabugo nela e empatou o jogo. 1 x 1 e o desespero já tomava conta da torcida tricolor.
Vem o segundo tempo e o que se vê é um flu totalmente acuado e o peixe partindo pra cima com tudo. Logo o gol era questão de tempo: Madson Duracell – o melhor em campo ao lado de Molina – recebeu belíssimo passe de Molina e dentro da área driblou Fernando Henrique e virou para o Santos: 2 x 1.
A essa altura a inflamada torcida do flu já jogava contra...
E para piorar de vez, o flu não conseguia sequer armar uma jogada decente. Thiago Flocos de Neves não tocou na bola e Fred Pivô de Pebolim esteve irreconhecível.
Pra ficar o inferno na terra, Dieguinho foi injustamente expulso em lance com Madson Duracell, aos 20’. E Eduardo Ratinho aos 40’, após entrada violenta em Neymario.
Aí ficou (ainda) mais fácil para o peixão fechar o caixão: Klebão Pereira -que até então estava sumido no jogo – foi lá e numa bela tabela de Neymario e Madson Duracell, finalizou como um autêntico matador: 3 x 1. Logo em seguida aproveitiou o rebote de Fernando Henrique e sacramentou a goleada: 4 x 1, e as vaias do Maracanã que fizeram o Cristo Redentor tapar os ouvidos!
No sabadão, o mistão do timão passou pelo Barueri: 2 x 1. Destaque para o gol dele, Souza!!!! Unfuckingbelivable again!! Óbvio que foi de pênalti, mas não interessa! Foi gol, pombas!
Bom resultado, culminando na primeira vitória do timão nesse BR 09, e consequentemente o reencontro com a mesma após passar um ano na série B.
O time vai com moral pra cima do Vasco pelas semifinais da Copa BR.
Cornetadas:
Kleber o Gladiador continua impossível no Cruzeiro; dois gols e um futebol cada vez mais vistoso. Abre o olho Dunga!
Josiel – ou Josieu?- foi o nome do jogo no duríssimo embate entre Flamengo e o valente Santo André – de Marcelinho Carioca –dois gols, um deles um golaço de cobertura!
O tricolor gaúcho atropelou o fogão no estádio Olímpico – destaque para o atacante Jonas, que voltou a jogar um bom futebol.
O São Paulo está apostando tudo no meia Marlos (ex Coritiba), será que é tudo isso mesmo?
18 de mai. de 2009
Trio de Ferro, Ferrado?


Olmeca de Tlachtli
Hoje, excepcionalmente, uma coluna para reflexão.
Para aqueles que não estão familiarizados com o termo: o chamado “Trio de Ferro” é composto por São Paulo, Palmeiras e Corinthians. Os três grandes da capital.
Obviamente os três começam o BR 09 com a cabeça em outras competições. São Paulo e Palmeiras com a cabeça nas Américas, e o Corinthians com o sonho da libertadores bastante vivo na Copa BR.
MAS, os resultados dessas duas primeiras rodadas do brasileirão mostram que, futuramente, esse “descaso compreensível” com a competição, poderá fazer bastante falta no futuro.
O Palmeiras disputou um jogo duríssimo contra o Internacional, em pleno Beira-Rio, foi muito valente, mas sucumbiu diante de um adversário poderoso: 2 x 0.
O tricolor, jogando no Morumbi, quase consegue a proeza de perder para o Atlético PR, e só não tomou esse duro golpe porque André Lima – parodiando o Sr. Abravanel: “Isto é INCRÍVEL!” – fez o gol do empate, e obviamente, impedido, senão nunca o faria. 2 x 2 com um gostinho amargo, para um time que estava sem ritmo de jogo, devido a precoce eliminação no Paulistão 09 e a falta de jogos nessa entressafra.
O timão foi ao Rio de Janeiro enfrentar o Botafogo, e perdeu um caminhão de gols. Ronaldo – ontem – não foi Ronaldo. O time demonstrou, nessa partida, um egoísmo, um preciosismo duro de se ver. Parecia que cada um queria uma bola para si. Essa falta de solidariedade é uma preocupação imensa para o time de Mano Menezes, para o importante jogo contra o Fluminense.
E o peixão? Não é do Trio de Ferro – por não ser da capital – mas é imenso! E ontem, infelizmente, não foi.
O Santos, em plena Vila Belmiro, conseguiu ceder o empate ao limitado time do Goiás – 3 x 3. Foi um belo jogo, com Klebão Pereira ajudando a fazer e a perder uma série de gols.
Destaque para sensacional defesa de Fábio Hooligan Costa na cabeçada que posteriorment originaria o gol de empate do time esmeraldino.
Madson Duracell foi duramente criticado pela torcida santista, e saiu chorando de campo após bater boca com torcedores. O garoto alcalino merecia maior respeito da torcida, por tudo que tem feito pelo peixe.
E assim segue o Trio de Ferro. É hora de acordar!!
E você, o que acha dos grandes paulistas nesse BR 09? Vale a pena mesmo poupar jogadores?
