9 de mai. de 2009

Salomão achou um bilhete da Mega Sena



Hector Plasma

Ele estava premiado e foi encontrado jogado no pátio da Rádio e TV Cultura. Mire e veja.

Durante 7 anos o jornalista Salomão Schvartzman apresentou na Rádio Cultura FM o programa "Diário da Manhã".

Ele era PJ, ou seja, uma empresa trabalhando para a rádio. Sua remuneração era de R$ 14 mil por mês mais 50% do faturamento do programa.

A produção ficava a cargo dos funcionários da rádio, como também, ele usava toda a estrutura física dela. A retirada mensal de Salomão como locutor era estratosfericamente maior do que qualquer outro da Cultura FM.

Traduzindo, um empresário (PJ) não colocava a mão no bolso e saia lucrando em uma fundação sem fins lucrativos. Dizem que por mês embolsava R$ 50 mil.
Salomão lucrou na entrada e na saída.
Qual radialista nacional recebe isso por mês? Dá para contar nos dedos do Lula.

Mas vai vendo, ainda tem o pulo do gato.
Em 2007 seu programa foi retirado do ar, junto com outros 16.

Salomão ficou possesso, sacou a CLT do coldre e foi às barras dos tribunais pedir seus direitos de empregado. Processou a rádio Cultura FM e a Justiça Trabalhista reconheceu o vínculo empregatício. Ele pleiteia R$ 1,5 milhões de indenização. Lá no final esse valor sairá do seu bolso, porque a RTVC é mantida pelo Estado de S. Paulo.

Quer ter a mesma sorte do Salomão? Então anote os 6 números, devidamente traduzidos em palavras:

1º - Linche os funcionários públicos, de autarquias e fundações afirmando que são vagabundos e mostre a saída: a terceirização;

2º - saia aos quatro ventos dizendo que o Estado tem mais o que fazer do que dar dinheiro para rádio e tevês publicas. Isso é coisa para a BBC;

3º - monte um projeto provando que o sistema público de comunicação pode e dará lucro;

4º - com o terreno preparado, tome posse dos meios de comunicação públicos;

5º - desembarque seus projetos, leve seus clientes amigos para patrociná-los e

6º - aposte cegamente numa sociedade, letárgica, acrítica e amorfa que nunca saberá a distinção entre público e privado. Esse é o número mais sorteado.


PS: A mesma empresa que vai pagar o Salomão, nega-se a pagar os 12% de 2004 à categoria, resultado de um de dissídio coletivo assinado pelo sindicato da categoria e o patronal, com anuência da Fundação Padre Anchieta, conforme diz a legislação trabalhista.

O que mais incomoda é saber que outros PJ's podem processar a FPA e os gênios que criaram essa situação no interior da Fundação nunca serão resposabilizados pelos prejuízos.

8 de mai. de 2009

Errei, erramos




da redação ONG PI

"Eu na verdade indiretamente
Sou culpado da tua infelicidade
Mas se eu for condenado
A tua consciência será meu advogado"

Errei, Erramos
Ataulfo Alves/Arthur Vargas Jr.


No centenário de nascimento de Ataulfo Alves, a revista inglesa The Economist entoa a canção 'Errei, Eramos'.

Se já é difícil bom jornalismo, imagine uma revista que assume posições (dogmas) equivocadas tomadas durante décadas. Na imprensa corporativa do Brasil nem pense nisso.

O editor John Micklethwait fez mea culpa e diz que errou ao cobrar da europa a desregulamentação do mercado e, corajosamente, afirma que foram justamente os Estados fortes que evitaram uma tragédia maior na atual crise.

"For years leaders in continental Europe have been told by the Americans, the British and even The Economist that their economies are sclerotic, overregulated and too state-dominated, and that to prosper in true Anglo-Saxon style they need a dose of free-market reform. But the global economic meltdown has given them the satisfying triple whammy of exposing the risks in deregulation, giving the state a more important role and (best of all) laying low les Anglo-Saxons."

"Venho ao tribunal da minha consciência
Como réu confesso pedir clemência
O meu erro é bem humano
É um crime que não evitamos
Esse princípio alguém jamais destrói
Errei, erramos"

Tá perdoado!


Ajude as crianças de pele marrom



Dr. Tupi

O que mais de comum acontece aqui com os ingleses e outros euro-cidadãos e o alistamento ao serviço voluntário em países como Índia, Vietnã, Tailândia, Quênia e outras ex-colônias que vivem em extrema pobreza e violência. O importante e’ ajudar o máximo numero possível de crianças de pele marrom, não necessariamente negras, brancas nem pensar. E um serviço voluntário que as pessoas pagam para fazer nas suas férias, vale ressaltar – as pessoas pagam, existe um sentimento de extremo orgulho ao serviço prestado e até ai tudo bem, mas o problema e que essas mesmas pessoas jamais cogitariam fazer o mesmo trabalho em território nacional. Por exemplo Bono, Madonna, Angelina Jolie entre outros que estão sempre visitando o continente Africano ou Asiático raramente ou talvez nunca foram vistos prestando a mesma ajuda em seu pais. Não existe extrema pobreza nos Estados Unidos ou na Irlanda, ou na Europa? Existe sim, mais ela é formada em parte por crianças de pele negra e uma outra grande parte por crianças de pele branca. Ai a cobra come o próprio rabo, resumindo, o pensamento que prevalece é: vou ajudar os fudidos de pele marrom por que o meu pais que é de pele branca é muito superior e deve ajudar as pessoas pequenas. Eu digo: Stay Home Gringos!!! Não se deixe enganar pela bondade de uma celebridade colonial, é tudo culpa e excesso de sentimento de superioridade. E tenho dito.

Ronaldo recheado...de GOLS!



Olmeca de Tlachtli

E o furacão acabou virando brisa.
No jogo entre Corinthians e Atlético PR, quem realmente fez o twister foi o fofômeno.
Com certeza é o gordo mais artilheiro que eu já vi!
O jogo começou tenso, com a Fiel empurrando o time para cima da boa defesa armada pelo técnico Geninho.
O time do Corinthians estava claramente nervoso, a bola queimando de pé em pé, e as oportunidades de gol – que foram poucas – foram desperdiçadas.
A primeira com Jorge Cover do Romário Henrique, que teve méritos em acreditar numa bola dada como perdida e por muito pouco não abriu o placar no Pacaembu.
A segunda foi com André Avenida Santos, que teve chance claríssima de marcar cara a cara com Galatto Galak. Méritos para o goleirão do Atlético que fez defesa importantíssima.
Aí, foi a vez da Fiel sentir o arrepio na espinha: bola perdida no meio de campo e um contra-ataque fulminante do furacão, onde a bola sobrou para o promissor Wallyson chutar e Felipe raspar na bola, o suficiente para que a pelota batesse caprichosamente na trave e mantendo o 0x0.
Final de primeiro tempo 0x0, e o furacão a 45 minutos de uma vaga histórica.
Vem o segundo tempo, e assim como no primeiro, o jogo continua tenso e pegado, com boas oportunidades para ambos os lados.
Logo de cara Wallyson (dessa vez eu não agüento! O que esse menino fez pra mãe chamá-lo de U-Ó-LI-SÔ? Tadinho, até para narrar os lances dele fica difícil...) perdeu um gol debaixo das traves de Felipe, na jogada clássica do Atlético, vindo pelas laterais, com cruzamento de Rafael He-Man Moura.
O problema é que o Wallyson mandou a bola lá no Tobogã....
E aí, pra quem tem Ronaldo, isso não acontece.
Dito e feito. Contra-ataque do timão e Ronaldo Fofômeno ginga que nem um pneu Michelin na frente do zagueiro, ameaça bater e quando clareou ele não perdoou: 1x0 com a ajuda do Galatto Galak, que só aumentou a fome de bola do artilheiro corinthiano.
A fiel foi à loucura, incendiando ainda mais o estádio.
Logo depois, Geninho Chamito mexeu no time colocando uma volante, Renan par dar mais liberdade aos seus meias, e colocou Jorge Preá, para ter uma referência (?) na área.
Mano Menezes Xavier não deixou por menos e logo colocou Morais e Fabinho em campo, para dar novo gás ao timão.
E deu certo! Ronaldo recebeu bola na área, deu um drible em dois zagueiros e foi derrubado: pênalti. Ele mesmo bateu com a categoria de sempre, com direito a paradinha e tudo mais, e deixou Galatto Galak no chão, vendo a bola morrer no fundo do gol. 2x0 para a alegria da Fiel!
Aí, o furacão virou ventilador de padaria...

O que o norte e nordeste não tem que o sul tem?

As enchentes do nordeste*

Por APreto
Nassif,

Quando SC teve uma crise ambiental (cheias e desmoronamentos) houve uma ampla mobilização nacional para coleta de doações p/ defesa civil.
Tem regiões do norte e nordeste que estão sofrendo muito com as cheias e não tenho visto a mesma mobilização.
Será que o problema no Norte/NE é tão menor assim que o de SC, que não mereça a mesma mobilização?

Comentário da redação ONG PI

Em Santa Catarina ocorreram 135 óbitos, 2.637 foram desabrigadas e 9.390 desalojadas (desastre.sc.gov.br).
No norte e nordeste, até o momento, já são 38 óbitos e mais de 800 mil desalojados ou desabrigados (defesacivil.gov.br).
Talvez o norte e nordeste tenha sina e o sul destino.

*Post publicado originalmente em www.nassif.com.br, 07/05/09.

quem é que manda



Fernanda Pompeu

A história de que o primeiro sutiã a gente nunca esquece, não funciona comigo. Envaideço-me de jamais ter usado esse estrangula- seios. No princípio, por rebeldia. Depois, por comodidade.
O que eu nunca me esqueço é do primeiro mouse. Sim, houve uma época, na pré e na história da humanidade, em que os mouses não existiam.
Nascida na segunda metade do século passado, faço parte da chamada geração intermediária. Também conhecida como geração nem lá nem cá. Aquela que começou a vida produtiva com a máquina de escrever e, da noite para o dia, bateu com o nariz na tela do monitor.
Fui iniciada no velho DOS: c://copy.word... Puxa, nem lembro mais dos comandos. Mas era assim: monitor de fósforo verde, monocromático; CPU do tamanho de uma máquina de lavar; impressora matricial e ruidosa; e o teclado (que não mudou muito).
Windows e mouse vieram mais tarde. A primeira vez que peguei no ratinho foi hilariante. Eu, simplesmente, não conseguia controlá-lo. O cursor escapava-me. Com medo de que ele voasse, cheguei a fechar a janela do quarto de trabalho.
Eu sei. Hoje, os bebês seguram a mamadeira com a mão direita e com a esquerda pilotam o mouse. Dizem que já vem no DNA. O que também sei é que o Graciliano Ramos escreveu o estupendo “Memórias do Cárcere” com um toco de lápis.
O escritor na prisão. Imaginem o espanto: não tinha apontador, não tinha aeron chair, não tinha mozilla firefox. Daí?
Ferramentas ajudam, mas o ouro continua na cabeça das pessoas.

5 de mai. de 2009

Notícias de ontem





O Gringo Ignorante

Os jornais são creadores de opinião publica, tudos sabemos disso. Na America Latina o problema é que temos pouca prensa de ezquerda, pouca prensa critica (sim, a direita e o conservadorismo não são criticos). As editoriais e as noticias de qualquer jornal só criticam paises e figuras que não se alistam com o rebanho do liberalismo, que é o normal e o correto em nossos dias: acreditar no comercio, no mercado, no sistema financeiro. Sobretudo acreditar nas mesmas receitas uma e outra vez. Propôr uma alternativa a isso é uma profanação abssurda, ninguem –dentro da aburguesada esfera periodistica- quer mudar seu lugar privilegiado: aliás, não podem publicar cualquer coisa que pensarem, só o que estiver de acordo com os interesses da companhia (um dos tipos de policia do pensamento). Os paises e suas economias subem e baixam continuamente, mais o nivel de vida, que está diretamente relacionado com a cultura de um povo, só desce, na America e no mundo. A ciência avança, a cultura retrocede.
Um exemplo. O Estado de São Paulo, as noticias da O Globo. Cualquer coisa que faça Chavez, Fidel, Evo, Correa, e até Lugo o Critina Kirchner (só pra falar de uma parte do seu eixo do mal), são sempre erradas o insuficientes. Sobre o que faça um Berlusconi, Sarkozy, Netanyahu de Israel ou até o mesmo papa, coisas incríveis, não opinam.
Berlusconi, o segundo homem mais rico da Italia, um “sedutor” da politica (e isso é visto como uma virtude), mulherengo, dono de tudos os meios de comunicação italianos (não encontro outra explicação pra o povo continuar votando em ele), falando burricie cada vez que abre a boca (“é como ir de camping um fin de semana”), com mil causas por corrupção e ligações com a mafia, encaminhadas e sempre esquecidas ou ganhadas por ele.........nada, Italia é um pais democrático e seu presidente –fiel a um liberalismo que destroi o pais- é bacana. Mesmo o Sarkozy, pra quem os imigrantes “são lixo” ou o papa, etc, etc.
E como se, o único que importasse é falar das economias. Então, um imposto que Evo cobra às ricas petroleras (que levavam a riqueza –dinheiro e petroleo- pra fora do pais antes de ele chegar) pra dar uma cobertura medica e economica digna aos idosos, é terrivel porque deixa as companhias com uma menor entrada. O social, o cultural, a união do nosso continente, não conta mas que economicamente, e sempre que beneficie o Brasil. Tuda politica das outras nações que afeta as empresas brasileiras, é denostada. Não importa se tiver uma evidente melhora social pra o povo vizinho. Existe um patriotismo conservador e liberal que da nojo na imprensa, não nas pessoas comuns (o seu patriotismo é futboleiro e amistoso), que não formam parte de aquele statu quo na vida ou no pensamento.

4 de mai. de 2009

Campeão Invicto



Olmeca de Tlachtli

E o peixe grelhou.
O que já estava praticamente certo, foi sacramentado ontem, diante de mais de 37000 fiéis.
Corinthians campeão paulista invicto. Tá certo que é o tal do Paulistinha, mas de todos os estaduais é o mais forte – de longe!
O jogo começou tenso, com o Santos vindo para cima do timão babando, criando diversas oportunidades de gol e assuntado a torcida corinthiana.
O peixão tanto pressionou que o gol saiu, em pênalti BEM duvidoso de Felipe em cima do novo candidato a Souza – Klebão Pereira. Aliás, ele tem que agradecer ao juizão, pois se não fosse essa penalidade ele passaria as finais em branco!
1 x 0 para o Santos, em uma cobrança muito bem executada pelo Klebão.
O Peixe calava o Pacaembu e causava calafrios na nação corinthiana, que começou a perder a pompa de campeão e se preocupava com o fraco futebol apresentado pela equipe de Parque São Jorge.
Aí, o Corinthians resolveu jogar e numa bela trama pelo lado esquerdo, Dentinho rolou bola açucarada para André Avenida Santos enfiar o bico – literalmente – nela: 1 x 1 sem chance para Fábio Hooligan Costa.
O estádio veio abaixo.
A confiança do Santos também.
O Corinthians visivelmente começou a jogar bola somente quando tomou o gol, e o Santos sentiu muito o golpe.
Final do primeiro tempo: 1 x 1 e o desespero santista de ter apenas 45 minutos para realizar um placar histórico.
Vem o segundo tempo, e o que se vê é um timão completamente diferente daquele visto no primeiro tempo: aguerrido, partindo pra cima e trocando passes com extrema confiança. O que um gol não faz, hein!
Já o peixão tentava de forma abrupta o gol. Ainda na grande dependência de jogadas do valente Madson e do talento de Paulo Henrique Ganso.
Vagner Mancini tentava empurrar o time para frente, colocando Maicon Leite e Robson, num claro sinal de que queria dizer para a equipe que ainda dava.
Mano Menezes tratou de fechar a cozinha colocando Fabinho para conter as investidas de Madson Duracell.
Ronaldo ainda teve grande chance de levar o Pacaembu a loucura. Mas, dessa vez, Fábio Hooligan Costa estava bem esperto e não caiu em seu golpe de cobertura.
Aí o timão tocou a bola e naturalmente a euforia foi aumentando. O time do Santos se desesperando e começou o festival de “Olés!” da arquibancada e o santos a dar botinadas – rimou, hein?.
Final de jogo: 1 x 1 e o Corinthians campeão invicto!
Justíssimo.
Repararam que eu nem citei o Neymar em ambos os jogos? Pois é, porque para mim ele nem entrou em campo. Decepcionante para quem está sendo comparado – de forma MUITO precoce – ao eterno Rei Pelé.
Esse sim não perdoava contra o timão.
Só que do outro lado - para o azar santista – estava Ronaldo, o súdito mais próximo, nos dias de hoje, ao Rei.
Parabéns Corinthians!

memória beta


Fernanda Pompeu

Vamos combinar: a memória de cada um é formada por lembranças próprias e alheias. Vamos aceitar: por vezes, não distinguimos se o vivido foi nosso ou do outro.
Dou o crédito. Esta cena peguei emprestada da minha mãe, fiquei de devolvê-la em forma de texto. Aí vai. Ela menina esperando pelo avô, na calçada em frente ao sobrado em que a família morava, no bairro do Estácio, Rio de Janeiro.
O avô, mouro, agente dos Correios e Telégrafos, chegava pontualmente às seis da tarde - hora em que todas as cigarras cariocas abrem o berreiro.
A garota antevia o prazer ao avistar o homem dobrando a esquina. Ele trazia o lanche para todos. O pacote de café era da marca Globo que, nos anos 1930, oferecia de brinde uma barra de chocolate, também chamada Globo.
Minha mãe - que já viveu 39 milhões e 420 mil minutos – reteve no disco rígido: o avô se aproximando e pondo nas suas mãos o chocolate. Hoje, seus olhos lampejam ao memoriar o gesto do mouro, o doce na boca.
O contar dela me faz lembrar da Tabacaria do Fernando Pessoa: “Come chocolates, pequena; Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates”.
Recordar é recortar.

3 de mai. de 2009

Dê-se ao trabalho de ler



Dê-se ao trabalho de ler


Hector Plasma

Primeiro era um curso superior, depois veio fluência em uma segunda língua, em seguida a especialização, o famigerado MBA, depoisvivências internacionais”, agora é uma terceira língua.

Cada vez mais as corporações colocam um obstáculo para aquele trabalhador que acredita que um dia chegará ao paraíso cumprindo todo calvário imposto. Mas a realidade, sempre ela, é uma . Gradativamentemenos trabalho e mais trabalhadores.

O sociólogo Ricardo Antunes nos presenteou com um artigo que trata com muita clareza esse fenômeno, segundo ele:

“Os que têm emprego trabalham muito, sob o sistema de "metas", "competências", "qualificações", "empregabilidades" etc. E, depois de cumprirem direitinho o receituário, vivem a cada dia o risco e a iminência do não trabalho.

E isso não nos estratos de base, onde estão os assalariados no chão da produção. Foi-se o dia em que os gestores, depois do corte, iam para suas casas com a garantia do trabalho preservado. Eles sabem que o corte deles se gesta enquanto eles laboram o talhe dos outros.”

Aqui ele alerta para um fato pouco discutido. Aqueles que fazem o trabalho sujo, o corte de gastos, planos de demissão, independentemente de terem seguido o calvário acima descrito, também um dia farão parte do corte. É um tiro no .

E segue: “As diversas formas de "empreendedorismo", "trabalho voluntário" e "trabalho atípico" oscilam frequentemente entre a intensificação do trabalho e sua autoexploração. Dormem sonhando com o novo "self-made man" e acordam com o pesadelo do desemprego. Empolgam-se pela falácia do empresário-de-si-mesmo, mas esbarram cada vez mais na ladeira da precarização. Em volume assustador, uma massa de homens e mulheres torna-se supérflua, esparramando-se pelo mundo em busca de um labor que não mais existe.”

Outro ponto pouco discutido. A idéia de que cada funcionário pode ser uma empresa, nada mais é que um modo muito elaborado de precarização do trabalho. É muito comum empregados serem obrigados a se tornarem empresas, as tais das PJ’s. No primeiro momento ele sentirá o bem-estar de trabalhar em casa e ficar mais perto da família, se livrar do chefe e ser dono do seu tempo. Mas no meio do caminho ele se deparará com a incapacidade de discutir remuneração e reajustes no valor do seu trabalho.

E depois de um certo tempo esse trabalhador/empresário perceberá que terá a sua ex-empresa comocliente’.

O PJ também é a primeira vítima dos cortes de custos, pois a extinção do seu trabalho não tem custo para empresa porque ele não tem nenhum direito.

O que fica claro é que acreditar que o esforço pessoal é o grande caminho para ser coroado pelas corporações nada mais é que um esforço de .

Não tenha fé e leia a íntegra do artigo “A erosão do trabalho”.